Poucas queixas de mão são tão frequentes, e tão confundidas com “má circulação”, quanto a síndrome do túnel do carpo. Ela é a neuropatia compressiva mais comum do membro superior e atinge principalmente adultos, com maior frequência entre mulheres.
O que é a síndrome do túnel do carpo
O túnel do carpo é um canal estreito no punho, formado pelos ossos e fechado por um ligamento. Por dentro dele passam os tendões que dobram os dedos e o nervo mediano, que leva sensibilidade ao polegar, indicador, dedo médio e parte do anelar. Quando esse espaço diminui ou o conteúdo aumenta, o nervo é comprimido e começa a dar sinais.
Os sintomas que mais aparecem
- Dormência e formigamento no polegar, indicador e dedo médio;
- Sintomas que pioram à noite e chegam a acordar a pessoa;
- Vontade de sacudir a mão para “fazer voltar ao normal”;
- Sensação de mão inchada ou desajeitada, mesmo sem inchaço visível;
- Com a evolução, perda de força e dificuldade para segurar objetos pequenos.
Um detalhe importante: o dedo mínimo costuma ser poupado, porque não é o nervo mediano que o inerva. Quando a dormência pega a mão inteira ou sobe pelo braço, outras causas precisam entrar na investigação.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico é essencialmente clínico: história e exame físico bem-feitos identificam a maior parte dos casos. A eletroneuromiografia é usada para confirmar a compressão, medir o grau de comprometimento do nervo e ajudar no planejamento, principalmente quando se cogita cirurgia ou quando o quadro não é típico.
Nem todo caso precisa de cirurgia
Em quadros iniciais e intermitentes, o tratamento conservador tem espaço: ajuste das atividades que sobrecarregam o punho, uso de órtese noturna mantendo o punho em posição neutra e acompanhamento. Casos selecionados podem se beneficiar de infiltração, sempre como parte de um plano, nunca como solução isolada.
A cirurgia costuma ser indicada quando os sintomas persistem apesar do tratamento, quando já há perda de força ou atrofia, ou quando o exame mostra comprometimento importante do nervo. Nessas situações, adiar não é neutro: a recuperação da sensibilidade depende de quanto tempo o nervo ficou comprimido.
Como é a cirurgia
O procedimento libera o ligamento que fecha o túnel, aliviando a pressão sobre o nervo mediano. É uma cirurgia de curta duração, em geral com anestesia local associada a sedação, e o paciente costuma ir para casa no mesmo dia. O retorno às atividades varia conforme o caso, a mão dominante e o tipo de trabalho, e é definido no acompanhamento.
Quando procurar um especialista
Se a dormência já acorda você à noite, se aparece ao dirigir ou segurar o telefone, ou se você percebeu perda de força, vale uma avaliação com ortopedista especialista em cirurgia da mão. Quanto mais cedo a causa é identificada, menor tende a ser o tratamento necessário.
Fontes
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), diretriz de manejo da síndrome do túnel do carpo.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), material de orientação ao paciente.
Conteúdo informativo, sem indicação de medicamentos. Não substitui a avaliação médica individual: cada caso tem particularidades que só o exame presencial identifica.
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