Acidente com a mão quase nunca acontece em hora conveniente. É a serra na oficina, a porta do carro, a faca na cozinha, a queda na obra. E é justamente nas primeiras horas que se decide boa parte do resultado final: movimento, força e sensibilidade dependem de quanto tempo as estruturas ficaram lesionadas e de como foram cuidadas até chegar ao especialista.
Este texto reúne as orientações gerais mais consolidadas. Ele não substitui atendimento de emergência: em lesão grave, o primeiro passo é sempre procurar um serviço de urgência.
Corte profundo na mão ou no dedo
- Comprima o local com um pano limpo ou gaze e mantenha a pressão firme;
- Eleve a mão acima do nível do coração para reduzir o sangramento;
- Não aplique torniquete por conta própria, salvo orientação profissional;
- Evite pó de café, produtos caseiros ou qualquer substância sobre a ferida;
- Não fique testando o movimento repetidamente: pode agravar a lesão.
Um sinal que merece atenção imediata: se depois do corte o dedo não dobra ou não estica, é provável que haja lesão de tendão. Perda de sensibilidade na ponta do dedo sugere lesão de nervo. Nos dois casos, a avaliação por cirurgião de mão é necessária, mesmo que o corte pareça pequeno por fora.
Amputação de dedo ou de parte do dedo
Nessa situação, a conservação da parte amputada é decisiva para a possibilidade de reimplante. O procedimento aceito internacionalmente é:
- Lave a parte amputada delicadamente com soro fisiológico, se houver sujeira grosseira;
- Envolva-a em gaze ou pano limpo levemente umedecido com soro fisiológico;
- Coloque num saco plástico limpo e feche;
- Coloque esse saco dentro de outro recipiente com gelo e água;
- Nunca ponha o dedo em contato direto com o gelo e nunca o congele: o congelamento inviabiliza o reimplante;
- Leve a parte junto com o paciente ao serviço de urgência, sem perder tempo.
Ainda que o reimplante nem sempre seja possível, e essa decisão depende do tipo de lesão, do nível da amputação e das condições do paciente, a parte bem conservada mantém opções abertas para o cirurgião.
Fratura ou suspeita de fratura
- Imobilize a mão ou o punho na posição em que está, com apoio rígido improvisado;
- Não tente “colocar no lugar”: manobras sem imagem podem piorar o desvio;
- Aplique gelo envolto em pano, nunca diretamente sobre a pele;
- Retire anéis e pulseiras logo, antes do inchaço aumentar;
- Mantenha a mão elevada.
Fraturas do rádio distal, do escafoide e dos metacarpos são comuns e nem sempre óbvias. O escafoide, em especial, pode ter raio-X inicial normal e ainda assim estar fraturado, então dor persistente na base do polegar depois de uma queda merece reavaliação.
Esmagamento
Esmagamentos em máquinas, portas ou equipamentos costumam causar dano maior do que o aspecto externo sugere, com inchaço rápido e risco de comprometimento circulatório. Eleve a mão, retire adornos e procure atendimento imediatamente, mesmo sem ferida aberta.
Quando ir direto ao pronto-socorro
- Sangramento que não para com compressão;
- Amputação total ou parcial;
- Deformidade evidente ou osso exposto;
- Dedo pálido, arroxeado ou frio;
- Perda de movimento ou de sensibilidade após o trauma;
- Ferimento por máquina, injeção de alta pressão ou mordida.
Por que a janela de tempo importa
Tendões, nervos e ossos têm cronogramas distintos de reparo. Lesões de tendão tratadas cedo permitem reconstrução mais direta; passadas semanas, o tendão retrai e o procedimento se torna mais complexo. Nervos reparados precocemente têm melhor recuperação de sensibilidade. Fraturas alinhadas no tempo certo consolidam melhor e reduzem o risco de rigidez e artrose futura.
Isso não significa que casos antigos não tenham solução, e a reconstrução tardia existe e funciona em muitas situações. Significa apenas que, quando é possível escolher, mais cedo costuma ser melhor.
Fontes
- American Society for Surgery of the Hand (ASSH), orientações sobre lesões traumáticas da mão e conservação de segmentos amputados.
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), material sobre fraturas de mão e punho.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), orientações ao paciente.
Conteúdo informativo de primeiros cuidados, sem indicação de medicamentos. Não substitui atendimento de emergência nem avaliação médica presencial. Em caso de acidente grave, procure imediatamente um serviço de urgência.
Quer saber o que é indicado para o seu caso?
Nenhum artigo substitui uma avaliação. Agende com o Dr. Max Lopes Jr, em Goiânia, e saia com o diagnóstico explicado e um plano definido.
Agendar minha avaliação